Agosto 19th, 2008 Luciano Midlej
Um debate muito interessante aconteceu na 20ª Bienal do Livro em São Paulo, como o tema “Livros na escola: basta para formar leitores?”. Até que ponto basta possuir livros é suficiente para criar um hábito de leitura nas pessoas e, principalmente, nas crianças?
As escolas deveriam trabalhar melhor o hábito de ler, criando formas de incentivar a leitura e introduzindo nas crianças a vontade pelos livros. Sempre questionei a forma como somos obrigados a ler. Eram livros e mais livros de vestibular - isso estando ainda na sexta ou sétima série na escola. Ora, qual a vontade de ler algo sendo obrigado? Ou sobre a ameaça de ”se você não ler vai ter nota baixa”. Quem nunca ouviu e se chateou com isso?
Leituras alternativas como jornais, revistas, internet também devem ser incentivadas. Com um bom trabalho, o gosto pela leitura pega e passa, com absoluta certeza, para os livros. Os pais terem o hábito de ler também é importante, pois os filhos imitam muitas coisas em casa.
Leia a matéria completa e veja o quanto é importante não tornar o hábito de ler uma obrigação, mas um ato de prazer.
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Agosto 15th, 2008 Antonio Martins
Parece uma contradição afirmar que pessoas em meio a bebedeiras, orgias, festas e saraus etílicos estão buscando a iluminação e elevação de seus espíritos. Mas os chamados vagabundos do Dharma não viam nenhum problema em guiar suas maltrapilhas existências em função disso.
Os Vagabundos Iluminados narra o encontro do jovem escritor Ray Smith com o fascinante Japhy Rider, um zen-budista estudioso das filosofias espirituais do oriente e praticante de montanhismo. No decorrer da história, a vida simples de Japhy, com pouco dinheiro e muita curtição e contemplação, apresenta a Ray uma nova perspectiva sobre as coisas e sobre a vida. Suas viagens, passeios e conversas retratam a coerência e a sabedoria louca de seus ideais.
O termo beat vem da palavra beatitude, que significa o pleno bem-estar espiritual, e por isso mesmo muitos consideram esse romance como sendo o que melhor retrata a geração beatinik. Os personagens, como não poderia ser diferente, são todos vagabundos que quebram com os padrões estabelecidos mas, desta vez, eles têm um propósito muito claro: a iluminação. A escrita rítmica de Kerouac está no seu auge, com diálogos insanos e narrativas que fluem no compasso quase que da oralidade. Vale a pena conferir o ícone de uma geração no melhor de sua essência.

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Agosto 15th, 2008 Lucas Souto
Este livro que vos indico é um best-seller corporativo e vem adquirindo quase que o peso de “Arte da Guerra” no mundo empresarial. Alguns motivos ajudam nesse fenomeno:
- O livro analisa o pensamento de Warren Buffet, o mais rico e bem sucedido investidor da era moderna.
- Seu texto é no estilo de “pílulas de sabedoria orientais”. O autor pinça frases e observações desse mega investidor e colocar em verdades filosóficas, financeiras e até de nível pessoal.
Com esse dois pontos bem trabalhados no livro já vale a pena ler para repensar as formas de obter riqueza material. Porém além desta óbvia constatação, percebe-se que o personagem trabalhado (Buffet) para chegar aonde chegou tem mais do que seu enorme patrimonio. Buffet é rico de idéias, e idéias simples não tão dificéis de serem adaptadas a nossas vidas.
O pensamento dele foge todo o tempo da riqueza fácil. Para o homem mais rico do mundo a sua carteira de investimento envolve empresas do qual ele tenha um domínio dos balanços de contabilidade sólidos, perspectivas de mercado, tradição e ética empresarial. Com esses princípios básicos ele escolheu onde colocar seu dinheiro, e assim obteve exito. Ele não acredita em milagres: acredita em trabalho, boa análise da empresa e saber o momento correto de comprar e vender suas ações.
O pensamento “buffetiano” também ensina que devemos nos relacionar com pessoas éticas, e não perder tempo com atividades que não tragam prazer.
Outros dicas desse sóbrio milionário deixo para aqueles que se interessarem. Digo com bastante convicção, quem separar uma horinha para ler este livro, estará fazendo um bom investimento.

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Agosto 14th, 2008 Luciano Midlej
Em 1963, um desenhista argentino cria uma tira em quadrinhos para ser utilizada de forma publicitária nas vendas de eletrodomésticos de um empresa. Essa empresa, por sua vez, recusa o desenho. Essa é uma atitude que entrou para as “mancadas históricas”.
Estamos falando do surgimento de um dos personagens em quadrinhos mais conhecidos da América Latina: Mafalda. Criada por Quino - cujo nome verdadeiro é Joaquín Salvador Lavado -, essa personagem foi um sucesso durante décadas no mundo dos quadrinhos. Traduzida em diversas línguas (a primeira foi o italiano), é até hoje é uma personagem atual. Suas tiras de décadas atrás abordam assuntos que ainda são motivos de discussões. Como sempre, no Brasil tudo chega depois e só em 1981 temos a primeira publicação brasileira dessa figura pequenina e irreverente.

Mafalda possui uma legião de fãs até hoje - suas tiras pararam de ser publicadas em 1973. Vale a pena conferir e dar muitas risadas com essa personagem cativante. No livro Toda Mafalda - da primeira à última tira, publicação da editora Martins Fontes (minha edição é de 1991) você tem mais de 400 páginas do melhor humor em quadrinhos!
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Agosto 2nd, 2008 Luciano Midlej
Não é um dos piores títulos que já encontrei num livro, mas tenho quer ser sincero e dizer que não gostei muito quando o vi pela primeira vez. Acabei comprando esse livro por ser de John Grisham, famoso escritor norte-americano que já teve muitas de suas obras levadas às telas dos cinemas em todo o mundo, como O Cliente e O Dossiê pelicano.
Quando comecei a ler o livro numa viagem de avião para São Paulo - queria passar o tempo, pois tinha escala no RJ -, descobri que o conteúdo do livro era muito melhor do que a capa. Como a viagem levou incríveis 4H30, acabei lendo-o quase todo dentro do avião.
A história é sobre um jogador de futebol americano que numa final de campeonato acaba prejudicando seu time. Depois disso ele não consegue nada dentro do mercado esportivo estadunidense e acaba indo jogar na terra das pizzas: a Itália. Não vou contar mais. Leiam o livro, vale muito a pena. Um texto leve, descontraído e que mostra muitos costumes e comidas dos italianos.

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Julho 7th, 2008 Marina Garcia
Khaled Hosseini acerta mais uma vez ao escrever o segundo livro, A Cidade do Sol.
Se no primeiro livro, O Caçador de Pipas, ele abordou o universo masculino, agora Hosseini volta os olhos para as mulheres. Talvez seja por isso que gostei ainda mais que o primeiro.
Mais uma vez ambientando no Afeganistão, o livro narra a vida de duas mulheres, Mariam e Laila, que apesar de terem sido criadas de forma completamente diferente (Mariam é filha de uma criada com um rico proprietário, que não a reconhece perante a sociedade e Laila é filha de um professor que a incentiva a estudar e ter o seu lugar no mundo, não apenas ser esposa e mãe) acabam tendo suas vidas unidas no mesmo drama.
Ao passo que vamos conhecendo a luta dessas duas mulheres, seus temores, dificuldades e a linda relação que pode surgir meio ao caos que lhes rodeia, vamos também conhecendo um pouco mais da história desse país, conhecendo a visão dos afegãos sobre as guerras e invasões que estamos acostumados apenas a ver nos telejornais.
Uma história bela, de leitura fácil e prazerosa. Quem gostou de O Caçador de Pipas não pode deixar de ler.
Assim como o primeiro livro de Hosseini, A Cidade do Sol também vai parar no cinema. Agora é só aguardar a produção, com estréia prevista para 2009.

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Junho 26th, 2008 Marina Garcia
Alguns livros me atraíram pela história, outros pela capa, outros li por causa de uma boa indicação… Mas O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne, me chamou a atenção pelo título curioso. Não tinha a intenção de ler durante o São João, mas ao fazer compras num mercado para as festas juninas, me deparei com o livro e fiquei instigada.
É um livro pequeno, muito agradável de se ler. Não gastei mais do que uma tarde com ele. Uma pena. Sempre fico triste quando os livros acabam.
Pensei muito sobre o que escrever sobre o livro e acho melhor não falar muito sobre ele. O Menino do Pijama Listrado é uma história que é melhor não saber detalhe algum antes de começar a leitura. Adianto apenas que há um menino de 9 anos inocente completamente alheio à sua realidade, uma mudança repentina que o deixa ávido por entender o que acontece a sua volta, uma cerca enorme e – lógico – um menino de pijama listrado.
O resto ficará por conta de quem ler o livro, que por sinal, também vai parar no cinema, com previsão de estréia no Brasil no início de 2009.
Leiam, vou esperar por isso para poder comentar mais detalhes do livro sem estragar o suspense.
• Curiosidade: Foi, durante um ano, o livro mais vendido na Irlanda.

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Junho 19th, 2008 Marina Garcia
O Carteiro e o Poeta, de Antônio Skármeta é um romance que narra uma linda e inusitada amizade entre um carteiro e o poeta Pablo Neruda. Na verdade, o livro acaba sendo uma espécie de biografia, ensaio, diário e romance, já que o próprio autor fala que ”Concretamente, devo a Neruda a perda da minha inocência”, num dos muitos momentos em que expressa sua admiração pelo poeta.
Mário Jimenez é um jovem morador da Ilha Negra, litoral do Chile, filho de um pobre pescador, mas que desde cedo demonstra sua inaptidão para esse tipo de trabalho, para dissabor de seu pai. Contudo, apaixonado por filmes, é o único morador letrado da ilha, e por isso, um dia toma a iniciativa de se oferecer para carteiro de sua localidade. Numa ilhota, povoada por pescadores analfabetos, o único cliente de Mário é o famoso poeta, que recebe uma enorme quantidade de cartas diariamente.
A relação entre os dois começa, por insistência de Mário, devido a uma admiração curiosa e pela insistência de que Neruda lhe dedique um livro. Com o decorrer do tempo, a interação entre os dois vai aumentando à medida que o poeta passa a dar conselhos amorosos e sobre a arte poética para que o jovem conquiste a mulher por quem é apaixonado.
Em minha opinião, há dois grandes momentos no livro. Quando Neruda explica ao carteiro o que é uma metáfora, e ao fazer isso, convida os leitores a ver poesia, beleza e, acima de tudo metáforas, em todos os lugares, até mesmo nos mais simples detalhes da vida. E, principalmente, quando Neruda pede ao amigo que grave os sons da ilha, para que o poeta mate a saudade durante sua estada na França. “Preciso desesperadamente de algo, nem que seja o fantasma da minha casa. A minha saúde não anda nada bem. Sinto falta do mar. Sinto falta dos pássaros. Mande para mim os sons da minha casa.”
É um livro belíssimo que fala sobre o amor e, principalmente, sobre a amizade. “O Carteiro e o Poeta” agrada pela sutileza das palavras e pela beleza da história. Vale a pena ler e a compreender o mundo com outros olhos, olhos cheios de poesia.
Para quem gosta de cinema, foi lançado em 1994 o filme nos cinemas. Não assisti, mas soube que é muito bom também.

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Junho 12th, 2008 Camilo Lobo
Bom, aproveitando o gancho da postagem do Lucas e o posterior comentário do Gabriel, vamos falar de outro livro do Daniel Galera: “Dentes Guardados”, um livro de contos lançado pela Livros do Mal que antecede o “Até o dia em que o cão morreu”.
Foi meu primeiro contato com o trabalho do Daniel (obrigado a Gabriel Torres por isso) e fiquei impressionado. Realmente muito interessantes cada uma das histórias, com suas intenções definidas e instigantes. “Matei” o livro em um dia mesmo, afinal não são muitas páginas – vá por mim, esse livro vai prender você.
Pra variar, assim como o outro livro que recomendei (“The Psychedelic Experience”, numa postagem abaixo), esse livro está disponível gratuitamente aqui.

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Junho 12th, 2008 Wagner Martins
“Ressurreição” foi uma obra bem recebida pelo público e pela crítica da época. Machado de Assis ainda vivia quando foi lançada sua segunda edição (1905). Nas duas edições ele escreve uma “advertência”. Na primeira advertência Machado escreve: “Não sei o que deva pensar deste livro; ignoro sobretudo o que pensará dele o leitor. A benevolência com que foi recebido um volume de contos e novelas, que há dois anos publiquei, me animou a escrevê-lo. É um ensaio. Vai despretensiosamente às mãos da crítica e do público, que o tratarão com a justiça que merecer” . De ensaio, “Ressurreição” não tem nada, afinal, já nesse primeiro romance estão os traços de sua maneira de escrever definitiva. Na advertência da segunda edição, o escritor escreve apenas: “Este foi o primeiro romance, escrito aí vão muitos anos. Dado em nova edição, não lhe altero a composição nem o estilo, apenas troco dois ou três vocábulos, e faço tais ou quais correções de ortografia. Como outros que vieram depois, e alguns contos e novelas de então, pertence à primeira fase da minha vida literária”.
O enredo do livro é simples, conta a história do Dr. Félix, um solteirão de 36 anos que, apesar de não acreditar no amor, se apaixona por uma viúva, a bela Lívia. O romance é, entretanto, atribulado devido ao temperamento desconfiado e inseguro de Félix.
Em “Ressurreição” o leitor também encontra o artifício narrativo que aparece nos demais textos de Machado: a intimidade do narrador com o leitor. Observe o trecho da página 54: “Aqui podia acabar o romance muito natural e sacramentalmente, casando-se estes dois pares de corações e indo desfrutar a sua lua-de-mel em algum canto ignorado dos homens. Mas para isso, leitor impaciente, era necessário que a filha do coronel e o Dr. Meneses se amassem…”. É, sem dúvida, o Machado que nos encanta e seduz. Leitura imperdível para quem já conhece ou não o escritor.
O final? Só mesmo lendo o livro para descobrir.

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