Ver não é enxergar
Primeiro me causou estranhamento. A pontuação esquisita, um jeito meio curioso de escrever. Fui lendo. Continuei lendo. Parei porque uma hora tinha que parar mesmo. A história teve um fim. E que história! “Ensaio sobre a Cegueira” é inegavelmente uma obra de enredo altamente criativo.
Tente imaginar-se cego. É difícil, eu sei. Mas depois de ler esse livro, não vai parecer tão complicado assim. O autor, José Saramago, foi hábil na tentativa de descrever um episódio inexplicável de cegueira generalizada. Sem mais nem menos, as pessoas vão sendo abatidas por uma cegueira repentina, que mergulha a todos, não na escuridão, mas num mar de luz branca.

Cada acontecimento vai sendo relatado através do ponto de vista da única personagem que permanece normal. E algo que particularmente me chamou a atenção foi o fato de que eu mesmo nunca havia me questionado sobre a possibilidade de ficar cego. Não que isso seja um risco tão provável assim, mas lendo aquilo tudo eu passei a me perguntar como é que eu mesmo me comportaria estando naquela condição.
Atualmente o livro está sendo adaptado para o cinema - Blindness - mas calma! Nesse caso é permitido aguardar uma bela experiência de transformação da história. Digo isso rasgando toda seda, porque afinal de contas quem dirige o filme é o competente Fernando Meirelles, que ainda tem no elenco o talento de Julianne Moore.
Saramago foi feliz na elaboração das situações de confronto vividas pelos personagens. E é isso que mais espanta o leitor: se defrontar com as reações humanas diante de situações adversas.





Abril 5th, 2008 at 18:32
Interessante e salutar a iniciativa de vocês. Estou me deleitando com a leitura dos comentários. E o mais importante é que, ao contrário do que se pode imaginar,( pelos menos,foi tem sido assim comigo) desperta a curiosidade de ir mais além, lendo a obra ou vendo o filme,objetos do comentários.Avante!!
Abril 5th, 2008 at 19:41
A cegueira de Saramago é uma alusão (ou metáfora) à cegueira dos que podem ver, aquela que se dissemina avassaladoramente por todos os cantos.
Ver, definitivamente, não é enxergar, mas não fechar os olhos pode ser um bom começo.
OPEN YOUR EYES!
Abril 6th, 2008 at 01:54
Bill,
Eu ia escrever no site sobre esse livro, e não se escrevo a minha versão do que percebi ou se não pode comentar duas vezes sobre o mesmo livro.
Foi o livro mais fascinante que eu já li.
A diferenciação entre o ver e o enxergar, a ausencia de nome dos personagens para dar impessoalidade e qualquer um poder se identificar, a narrativa do caos que se instala (e que não é tão diferente do mundo em que vivemos) e a profunda reflexão que o livro nos tras.
Excepcional!
Estou ansioso pelo filme, e ainda que seja um trabalho monstruoso para Meirelles transformar para a linguagem audiovisual um livro tão denso, valerá a popularização da idéia.
Quais são nossas crenças?
Quais são nossos valores?
Em quem podemos acreditar?
O que as instituições querem da gente?
O homem é naturalmente boa ou ruim?
Qual processo de “cegueira branca” que poderá tornar a humanidade olhando mais do que nossos afazeres?
Maio 22nd, 2008 at 14:38
[…] um ótimo post aqui no LERDEVIASERPROIBIDO sobre essa obra prima da […]