Borges e os Orangotangos Eternos
Esse título estranho esconde um romance policial com o humor e leveza de Luis Fernando Veríssimo.
No livro o personagem “Vogelstein” é um solitário escritor em Porto Alegre que vive na traquilidade de quartos e bibliotecas, bem longe do que imagina em seus escritos. V. é também um admirador de Edgar Alan Poe e Jorge Luis Borges, dos quais toma referências em todo o enredo.
Vogelstein sai de sua pacata vida na capital gaúcha para um encontro de uma Sociedade Literária debatedora dos textos de Poe, chamada Israfel Society. Quando para “empolgação” geral de seus confrades ocorre um assassinato envolto em provas e circunstâncias policiais que poderiam inundar a Israfel Society com temas para discussão. Neste cenário, Vogelstein acaba por se aproximar da investigação do qual é sempre feito um contraponto por um virtual Jorge Luis Borges.
Não diria que apenas o final é empolgante, porque todo o livro tem um desenrolar envolvente. Uma boa leitura ganhadora do Prêmio Jabuti de 2001.
P.S. - No texto há um dialogo constante do narrador com Jorge Luis Borges deixando até o final ser escrito pelo argentino. Para mim ficou uma dúvida cruel se o livro foi realmente uma co-autoria de Veríssimo e Borges.Na capa do livro, o “Borges” título se confunde com o do autor, numa mistura de personagem e autor. E o próprio transcorrer do livro deixa essa dúvida. Ao fim essa dúvida aumenta quando assina Borges como “escritor-personagem”.
Porém a primera edição do romance foi impressa em 2000 e Borges morreu em 1986. É meio estranho que um livro com autores tão consagrados tenha demorado tanto para a primeira impressão. Pra mim, Veríssimo deve ter combinado com a família do falecido e ter escrito (de forma bem competente é claro) como Borges por licensa poética. Ou não.




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