O português do Brasil e de Portugal
Li nessa semana uma matéria, na Revista da Semana, intitulada de “Imprudência e insensibilidade”. A matéria se referia ao acordo entre os sete países de língua portuguesa para mudanças ortográficas. A matéria trazia um texto do romancista luso Duarte Afonso, que se mostrava indignado com as novas mudanças da gráfia que procuravam aproximar o português escrito entre esse grupo de países.
Abaixo, uma parte do texto - escrito no português de Portugal - publicado no Jornal da Madeira, de Portugal, mostrando o quanto indignado estava o escritor:
“Se analisarmos à luz da verdade e da justiça, o que se está a passar com o acordo ortográfico, facilmente chegamos à conclusão que o rei ainda não vai nu, mas vai muito mal ataviado.
Como se isso não fosse suficientemente triste e preocupante, o governo, que devia zelar pela sua imagem e pelo seu bem-estar, numa imprudência de bradar ao céu, apressa-se a despi-lo por completo na Assembleia da República.
E tanto assim é, que o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, há dias, “afirmava que era (prioritário) o agendamento na Assembleia da República da proposta de resolução do Governo, para a ratificação do acordo ortográfico pelo Estado Português”.
Prioritário porquê? Se o acordo foi assinado em 1990 e os Governos anteriores não lhe deram nenhuma prioridade para que fosse ratificado, porquê tanta pressa agora?(…)”.
Me parece um manifesto de uma pessoa centrada em seu país, não aberto a mudanças e, principalmente, contrariado por mudanças que sejam causadas em sua língua pátria por um país que ele - como muitos outros - deve julgar como “inferior”, subdesenvolvido. Eu sinceramente mudaria o nome de nossa língua, e passaríamos a falar “Brasilês” (seria assim? Por favor, me corrija se eu estiver errado!). Temos que lembrar que nossa língua é um mistura de outras línguas - indígenas, africanas, além de outras européias - e não estamos presos apenas ao “intocável e puro” português dos portugueses.
Tenho pena desse português, mas fico feliz por ele estar em Portugal. Ele não merece nosso Brasil.




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