Como surgiu seu interesse pela leitura?
O interesse pela leitura pode surgir de muitas formas. Eu gosto muito de desenhar - apesar de ter diminuido muito meu ritmo de ilustrações hoje em dia - e sempre devorei histórias em quadrinhos (as do Tio Patinhas sempre foram as minhas favoritas!). Dos quadrinhos para os livros foi um pulo.
Lendo o jornal A Tarde, encontrei um texto de Gabriel Guimard - que é ator, mímico, palhaço, diretor de teatro, pesquisador das artes para infância e está enveredando na escrita agora - muito interessante. É uma história muito curiosa, além digamos um tanto quanto “dolorosa” sobre o começo do interesse pela leitura. Preferi não comentar o texto dele, então pedi ao próprio autor para publicar, na íntegra, aqui no blog . Fique a vontade para ler e deixar seu cometário!
“Hoje eu vou contar um segredo: como comecei a gostar de escrever e ler. Quase dois anos atrás, o que poderia ter sido um problema, transformou-se em um presente. Parece estranho o que vou dizer, quebrei as duas pernas!
Subindo em uma mangueira que ficava no quintal da vizinha para apanhar suculentas mangas. Na pressa para descer, com as mãos, bolsos e mochila cheios de mangas, lá vou eu mangueira abaixo. Aaaaaaa…cataplum! Dos males o menor, só duas pernas quebradas… Ui! Aquela correria de outros vizinhos que chamaram minha mãe, choradeira, dor, ui! Ui! Hospital, ai! Ai! Gesso, ui! Ai! Finalmente, calmaria à noite. Depois de muita conversa, ainda choradeira da minha mãe, tive um pensamento de felicidade: vou ficar um mês sem ir à escola. Vou ver televisão, comer biscoito, dormir e ver televisão e comer biscoito e dormir.
Meu pai tinha acabado de entrar de férias e qual não foi minha surpresa, quando ele apareceu no meu quarto com uma pilha de livros e me disse: – Jorginho, vamos reler juntos todos os livros da minha infância! No início protestei, mas meu pai estava decidido. Eu ainda lia com alguma dificuldade, mas lia tudo. Achei que seria obrigado a ler todos aqueles livros, mas tive outra surpresa, quando meu pai disse que leria os livros para mim.
Começamos lendo Vi a g e m ao centro da Terra, do escritor francês Júlio Verne (1828-1905), uma ficção científica, cheia de aventuras… Foi amor à primeira vista. Devoramos depois Vinte mil léguas submarinas, também dele, e vieram Robson Crusoé; As viagens de Gulliver; e quase metade da coleção de Monteiro Lobato (1882-1948) e da poesia de Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles (1901-1964); A Arca de Noé, de Vinicius de Moraes (1913-1980) e outros tantos encantadores de palavras.
Os dias voavam, assim como minha imaginação. Aquelas histórias me levavam para o mundo da fantasia, onde tudo é possível. Quando viajamos pelo universo da leitura não há nada que não se possa pensar, sentir ou desejar, nada é proibido… É proibido proibir…
Aqueles dias foram abençoados pelos anjos da arte, e até hoje eu agradeço às minhas duas pernas quebradas, pois, com minhas pernas invisíveis e minhas asas de Ícaro, pude ir longe, a lugares que jamais chegaria com minhas pernas de carne e osso. O que seria uma pequena tragédia transformou-se num presente, e agradeço ao meu pai por ter sido a ponte reveladora, entre mim, os livros e as histórias.
Esta é a parte 1 de como comecei a gostar de ler. Na próxima vez falarei de como comecei a escrever, porque, como meu pai disse, todo bom escritor, antes de tudo, é um bom leitor. Para escrever bem, é preciso ler muito.”
Gabriel também tem um site muito interessante chamado Portal Cultura Infância que procura ser um espaço de integração e interdisciplinaridade entre arte, cultura, comunicação e educação voltadas para a infância. Parabéns Gabriel pelo texto e pelo seu projeto!




Junho 3rd, 2008 at 11:22
Adorei! Principalmente porque li também no início muitos dos mesmo livros que o Gabriel.
Não sei precisar exatemente quando comecei a gostar de ler, acho que sempre gostei, pelas histórias que meu pai contava antes de dormir, talvez.
Lembro muito do livro de Peter Pan que ele lia, da capa dura já velhinha, colada com fita adesiva…
Tinha também O Saci, de Monteiro Lobato, que ele lia sempre…
Junho 4th, 2008 at 07:57
Também adorei …
Eu sei como comecei a gostar de ler, foi lendo os textos bíblicos acerca da vida de Jesus. Nem foi a bíblia, eu me limitava somente aos Evangelhos. Hoje imagina, sou teólogo :-D
Junho 4th, 2008 at 14:03
Saudações,
Antes de mais nada, agradeço ao Luciano por este espaço de compartilhamento. Gostaria de dar mais algumas informações à respeito da crônica. Escrevo quinzenalmente para o suplemento infantil A Tardinha, do jornal baiano A Tarde. Este suplemento sai aos sábados.Estas crônicas são dirigidas as crianças, apesar dos adultos também gostarem. Este é um dos paradigmas da boa produção cultural para crianças da atualidade. Transcender as idades…De qualquer maneira penso nelas quando escrevo, sempre elevando o nível, sempre imaginando que quem vai ler estas crônicas são crianças entre 7 e 12 anos. As crônicas que escrevo são ficcionais, inspiradas em situações, que ouvi e vivi. Inventei um “pseudônimo” para escrever estas crônicas, o Jorge Erê. É uma criança de 10 anos que escreve e é meio filósofa…Jorge Erê é a criança que tenta bravamente sobreviver dentro de mim…Quem quiser ler outras crônicas do Jorge Erê elas estão disponíveis no Portal Cultura Infância, na área de Literatura. Linque: www.culturainfancia.com.br
É isso aí! Bola prá frente que o jogo é de campeonato!
Gabriel Guimard
(Jorge Erê)
Junho 5th, 2008 at 23:39
Luciano,
Você começou com Tio Patinhas foi?
hehehe!
Voce veja né…
Wagner começou com os evangelhos e hoje é Teologo.
Quem começa com Tio Patinhas deve continuar lendo:
Maua, Warren Buffet e Estrada para o Futuro (Bill Gates).
Voce ja leu eles todos?
Abraço!
hehehe
Junho 22nd, 2008 at 18:01
Comecei a gostar lendo livros espíritas, hoje leio outros livros, revistas…