História das prisões no Brasil
Lançado pela editora Rocco - famosa pela publicação dos livros de Harry Potter - esses dois volumes de História das Prisões do Brasil parecem ser um relato interessante de como funcionou e funciona o prisional em nosso país.
Organizados por Clarissa Nunes Maia, Flávio de Sá Neto, Marcos Costa e Marcos Luiz Bretas, são um apanhado de trabalhos monográficos, que trazem pela primeira vez, pesquisas e trabalhos originais produzidos em diversas universidades de todo o país. É uma oportunidade de enriquecer o atual debate sobre um tema muito presente: a violência e (in)segurança pública.





Abril 1st, 2010 at 12:22
Admiro o esforço de vocês, mas sinceramente, sou bastante pessimista. Trata-se de uma causa perdida, infelizmente. Digo isso porque vi - na tv - que está para ser votada a descriminalização da leitura no Brasil. Se o projeto passar, a posse ou uso de um livro será simples contravenção, que dará uma multinha, e olhe lá.
Vejam como a matéria foi tendenciosa:
Entrevista de um deputado:
- É uma tolice acreditar que a prisão é um obstáculo à leitura. Todos os dias vemos denúncias de livros apreendidos nas celas. Um livro pequeno pode entrar escondido dentro de um objeto simples, como uma bolsa ou um fuzil. E a cadeia não recupera ninguém. O meliante fica lá dentro sem ter o que fazer e acaba lendo mais ainda. E pior: os mais velhos acabam mostrando coisa nova para um rapaz que de repente só está lá porque estava folheando uma revista. E esse camarada depois vai sair de lá psicanalista, físico, qualquer miséria dessas - e vai aprontar na rua!
É uma verdadeira escola!
Um carcereiro confirma:
- Eles ficam aí o dia todo com a cara enfiada no papel. O pior é quando começa o blablablá. Eu é que não consigo pregar o olho! e quando sai daqui, vai tudo doido pra ler coisa diferente! - na mesma cena, um preso o interrompe, por trás das grades: “Moça! eu não tinha nada que tá aqui!! Peguei dez anos porque tava com uma “Carta Capital” na mão, mas era só pra abanar!!” O funcionário sorri com desdém e comenta:
- O mais bonzinho aí resolve problema de geometria pra matar o tempo… – e opina:
- É claro que isso daí não acrescenta em nada pra pessoa, mas prender não adianta. As pessoa que elas têm a mente fraca acaba caindo nisso daí. Precisava é pegar o bandidão que escreve e que muitas vezes tá lá no asfalto. Resolve mesmo é dar televisão, internet, tipo orkut, tuit pra esse povo desorientado…
O ideal seria que todo mundo pudesse ter acesso a isso, mas são soluções de longo prazo. Agora, só o rigor da lei pode conter a barbárie. Mesmo porque eles são organizados, como mostrou a cena de um filme que fez grande sucesso há alguns anos, quando um delinquente é apanhado num morro do Rio e logo confessa que é estudante (alem de bandido, frouxo…) Mas interrogado sobre o paradeiro de João Ubaldo, nega-se a todo custo a falar, sabendo dos castigos que a delação traria.
E nessa semana, mesmo, oitocentos quilos de filosofia foram apreendidos em S.Paulo. A quadrilha (três alemães, dois gregos e uma nigeriana) admitiu conexões com o cartel de Frankfurt. Os populares vibraram quando um policial arrancou os óculos de um bandido. Imagino a decepção dessa gente se a lei for aprovada.