Ler Devia Ser Proibido

A igreja, a máfia e uma família

Março 19th, 2008 Filipe Bezerra

Gosto muito de ler, mas cinema é minha grande paixão. Está no topo dos assuntos que mais me interessam e dão prazer. E em filmes, um dos temas de que gosto muito é a máfia - especialmente a italiana, nos EUA. Apesar da violência que caracteriza a vida real desses criminosos, confesso minha visão romântica em torno desses personagens. Meus filmes preferidos devem ser os preferidos da maioria: O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros. Excelentes! Mas falaremos sobre eles em outra ocasião.

O livro da vez chama-se “Os Bórgias“. Trata-se de um romance, mas essa família de fato existiu e, de certa maneira, foi a precursora de todas as famílias da máfia contemporânea. O autor é Mario Puzo, que também é o criador do Poderoso Chefão - o livro, naturalmente, não o filme, do qual ele é apenas co-roteirista.

Escrever “Os Bórgias” foi também a tentativa de Mario Puzo de esclarecer as origens da máfia e pra isso ele realizou uma profunda pesquisa que durou quase 20 anos. O resultado é a história dessa família que viveu no século XV, em Roma, num momento em que a Igreja ocupava uma posição diferente daquela que conhecemos hoje. Bispos e cardeais mantiam uma vida de prazeres carnais e de hábitos mundanos. Ter filhos não era permitido, mas ninguém se dava ao trabalho de escondê-los. Assim também era com Rodrigo Bórgia, um importante cardeal que através de jogos políticos e troca de favores chegou ao posto de Papa - Alexandre VI.

Seus filhos eram usados como peças de xadrez e é nesse clima de intrigas e trapaças que se dá toda a história. Um grande livro cheio de fatos reais costurados num enredo fictício. Destaque para narração da primeira experiência sexual de Lucrécia Borges, algo que me deixou curiosamente perturbado.

borgias

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Menino do Rio

Março 13th, 2008 Filipe Bezerra

CAZUZA | PRECISO DIZER QUE TE AMO (Todas as letras do poeta)
Esse foi um daqueles livros adquiridos no impulso. Zapeando o olhar na prateleira do supermercado, vi a foto do Cazuza. Eu que sempre gostei do jeito poser e meio “porra-louca” do cara, estranhei aquela imagem serena me encarando. Até me lembrava que sua mãe – Lucinha Araújo – já havia escrito um livro com relatos sobre a vida do filho famoso – “Só as mães são felizes”. Em Preciso Dizer que Te Amo o leitor também encontra muitas histórias, mas seu grande valor é mesmo a reunião que dona Lucinha fez de todas as letras escritas por Cazuza.

Página a página, o leitor encontra os sucessos do Barão Vermelho, as canções do período em que ele se consagrou como cantor solo, além de ter uma agradável oportunidade de apreciar a criatividade, seu amadurecimento e sua enorme sensibilidade para escrever.

SEGREDOS DE LIQUIDIFICADOR
Enriquecendo a viagem, podemos conhecer detalhes e curiosidades a respeito de cada uma das composições através do relato de parceiros e amigos que o ajudaram ou participaram de sua vida e de seu processo criativo – Frejat e a turma do Barão Vermelho, o produtor Ezequiel Neves, o poeta Waly Salomão, Ney Matogrosso, Lobão, Caetano Veloso e Arnaldo Antunes.

Cada um desses momentos é destacado por uma seção do livro chamada Segredos de liquidificador, referência a “Codinome beija-flor”, uma de suas canções mais conhecidas. Para os mais atentos, é possível notar seus gostos e influências, quem sabe até identificar os poetas em quem ele buscava inspiração.

CAZUZA FOTO

DESTAQUE
O primeiro poeminha do livro. Doce, curto, bobo. Batido à maquina:
Nasci no rio de janeiro / fruto do amor verdadeiro / de uma cristã e um cristão
Num apezinho maneiro / cresci vendo Tarcisio Meira / meu pai na televisão
Fui na infância um cordeiro / até descobrir no banheiro / que eu tava na contramão
Daí sartei fora sem freio / me estrepo mas tô sempre inteiro / e sou bem feliz meu irmão

Cazuza pode ter sido um moleque burguês da high society carioca. Um filho mimado que em razão de muitas circunstâncias acabou dando certo no mundo da música. É assim que muitos pensam. Pois esse não é um livro pra quem procura por fofocas. Preciso Dizer que Te Amo, como seu nome sugere, expõe a intensidade e a inspiração desse artista fabuloso que sabia como poucos retratar em palavras o que alguns sequer têm certeza de já terem sentido. Poesias pra se ler, ouvir e lembrar.

CAPA CAZUZA

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As veias abertas da América Latina

Março 13th, 2008 Lucas Souto

Ontem terminei o conhecidíssimo livro da esquerda latino-americana: “As veias abertas da América Latina“.

O texto é bem ácido e revelador. Eduardo Galeano redefine as formas de exploração e imperialismo das potências ao longo de seus 500 anos de história. Galeano além de explicar as óbvias relações de subserviência dos período coloniais (pré independência) ele demonstra a posterior dependência pós independência.

Em linhas gerais ele mostra como os ciclos de matérias primas exportadas da AL saiam por uma bagatela, e os efeitos nefastos nas economias dependentes de apenas uma delas, como: açúcar e café no Brasil, estanho na Bolívia, cobre no Chile, e etc. De forma geral os países latino americanos recebiam investimentos externos, que eram pagos através das próprias riquezas naturais exploradas mais altas taxas de financiamento e aduaneiras.

No século XX, Galeano mostra a mesma estrutura de financiamento perversa onde as antigas colônias passam a ser submetida à países imperialistas e de grande potencial econômico como Inglaterra e Estados Unidos da América. Ou seja, substituem as matérias primas, por produtos industrializados, mas mantém se a mesma lógica. Os países mais fortes, investem em suas próprias empresas nacionais, fora de seu Estado, cobrando altas taxas de juros as colônias com a idéia de vender o “progresso”.

Hoje mantém se a mesma lógica e com uma política de livre comercio bastante contraditória. EUA e Europa Ocidental defendem a um mercado livre quando exportam, mas aplicam praticas protecionistas quando importam. Desta forma protegendo o agronegócio e o as indústrias de seus países, mantendo bons salários a seus compatriotas e aplicando salários de fome nas colônias.

E ao que parece nenhuma mudança estrutural aconteceu da década de 70 até hoje, para que justifique alguma previsão mais otimista com relação ao continente ao sul do Rio Bravo.

capa

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Tudo começou há 200 anos

Fevereiro 22nd, 2008 Luciano Midlej

Terminei ontem de ler “1808“. Ao ficar sabendo do lançamento do livro no final do ano passado, acabei bastante interessado, pois adoro história. Como o autor é um jornalista renomado do grupo Abril, confiei que fosse um livro bem escrito. Por sorte é.

Imaginar que quase 15.000 pessoas da corte portuguesa atravessaram o Atlântico em caravelas caindo aos pedaços foi uma das coisas quem me chamou a atenção. Outra foi o fato - muito cômico - de D. Porcão (João VI) ter ficado 13 anos no Brasil, num sol de rachar pedra, e só ter tomado um banho. E o melhor de tudo, um banho de mar a muito contra-gosto.

dj

Mais não só de besteiras se folheia este livro. As mudanças de comportamento, sociais e economicas que acabaram ajudando a elevar o Brasil e tirar esse país continental de um atraso causado pela dependência colônia-metrópole são também mostradas no livro.

Vale a pena ler “1808“, mas vou avisando logo que não espere muita coisa no final. Achei que o livro acabou do nada.

Sim, quase me esqueço de comentar! Legal também é a passagem onde fala sobre a fundação do Banco do Brasil - é, esse banco que diz ter 200 anos. Além da mentira de não ter 200 anos, não acredito que o início dele seja motivo de orgulho. Era um banco apenas para custear as despesas da corte portuguesa durante suas “férias” no Rio. Mas como todo publicitário é contador de história (fazem isso porque existem os burros que as adoram!), fica aí a bela campanha “BB 200 anos”! Quanta credibilidade…

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Eric Clapton: a Autobiografia

Fevereiro 19th, 2008 Marcos Almeida

Um livro de leitura fácil, rápida e agradável. O competente Clapton, mostra que não é bom apenas com a guitarra -  escreve, como ninguém, sua própria trajetória.

clap-novaA biografia nos faz percorrer toda sua vida - desde a infância, atravessando décadas de sua conturbada carreira, até a tranquilidade dos seus atuais sessenta e poucos anos.

Deus, como é conhecido entre os fãs, foi (aparentemente) um músico tranquilo - diferente dos loucos e problemáticos rock stars que já passaram por esse planeta. No livro, porém, descobrimos que a realidade não é bem essa - Clapton, aliás, tem sorte de ainda estar vivo, uma vez que sua existência foi marcada por abuso de velocidade, drogas e álcool.

Uma autobiografia sincera, séria e bem escrita - boa como tudo que o Eric fez como músico: um prato cheio para os amantes da história do blues e do rock n’ roll.

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Vender não é fácil, mas pode ser

Fevereiro 4th, 2008 Luciano Midlej

Esse é mais um dos muitos livros que sempre compro nas promoções que a Americanas.com ou Submarino fazem de vez em quando. Tenho acertado em minhas últimas compras, até agora todas os livros que adquiri são no mínimo bons.

Vender sempre foi algo que me fascinou muito. Como gosto muito de dinheiro (certo, todo mundo gosta!) então tudo que esteja relacionado a como fazer para ganhar sempre mais $ me interessa.

vender

Em Vendas - 68 Lições do dia-a-dia, de John Carroll, encontramos de forma bem didática - as vezes até demais - dicas de como funcioana uma venda. A princípio você pode estar pensando: é simples, eu quero comprar, ele quer vender, eu pago e levo. Talvez um dia tenha sido assim mesmo, mas numa economia cada vez mais dinâmica, um processo de compra e venda se tornou muito mais complexo!

O ponto positivo de Carroll é conseguir passar de forma simples diversas situações e atitudes de uma pessoa que trabalhou mais de vinte anos vendendo de tudo.

Vale pra quem gosta de dinheiro e muito mais para quem gosta de ganhar dinheiro!

capa

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Uma guerra inevitável

Fevereiro 3rd, 2008 Luciano Midlej

Para quem adora o tema de guerra, a história da humanidade é um prato cheio de leituras. Acredito que a 2ª Guerra Mundial seja a que tem mais livros, afinal foi a maior e mais destruidora de todas elas.

É muito raro se encontrar lançamentos que falem de uma outra grande guerra - na verdade uns dizem que a 2ª Guerra é apenas a continuação dela, pois ela não tinha terminado e sim dado uma “pausa”. Estou falando da 1ª Grande Guerra Mundial.
fonte: www.algosobre.com.br

Em O Último Verão Europeu, de David Fromkin, ficamos sabendo a situação político-social-geográfica do velho continente no final do século XIX e começo de século XX. O autor mostrar que a guerra naquela altura seria inevitável, era tudo uma questão de tempo. Na verdade, todo o desenvolvimento que a Europa tinha conseguido acabou levando o continente a esse conflito.

Uma leitura muito boa para quem gosta de história e se fascina pelo tema.

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Reformulando sua empresa

Fevereiro 3rd, 2008 Luciano Midlej

Adquiri há mais ou menos duas semana um livro chamado “NovaEstrutura - reinventando sua empresa” (isso mesmo, junto…) da editora FGV. Como tenho minha própria empresa - Tuppi Propaganda - estou sempre procurando livros que me acrescentem conteúdo nessa área. Pra ser bem sincero, como comprei o livro na Submarino por incríveis R$ 10,00 (acredite, foi mesmo dez reais!) não tinha grandes esperanças em seu conteúdo. Mas vale errar tentando do que não tentar! E acertei!

NovaEstrutura traz o que eles chamam de nova tecnologia de gestão de empresas, além de alguns cases com situações vividas por especialistas na área de administração de empresas. Tem um caso muitíssimo interessante, relatado por Roberto Lima Netto. Ele foi indicado por um dos ministros do então Presidente Collor para salvar a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) da falência.

Netto ficou encarregado de reestruturar esta empresa estatal, que por anos estava sendo destruída pela corrupção e descaso do Estado. Pela frente ele pegou uma empresa quase falida, endividada, atrasada, um sindicato forte e com tudo de pior que um administrador pode encontrar em sua carreira.

Não vou contar mais sobre esse caso. Leia NovaEstrutura e descubra o quanto é dificil administrar uma empresa, ainda mais no Brasil!

capa livro

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Sempre azul da cor do mar

Novembro 20th, 2007 Luciano Midlej

Livro retrata a vida de uma das maiores vozes da música brasileira
Fonte: Revista da Semana – 19/11/2007

Brasileiro, nascido em Niterói em 1942, compositor desde criança, dono de uma voz grave e autor de frases como “Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual e metade é intelectual que acha que é preto”, Tim Maia tornou-se uma das vozes mais adoradas do Brasil e se imortalizou com clássicos como Azul da Cor do Mar.

capa do livro

Em Vale Tudo, seu parceiro e amigo Nelson Motta retrata sua vida e obra, desde a ida para NY aos 17 anos até a sua morte, no Rio de Janeiro, aos 55 anos. Momentos muitas vezes hilários, outros tantos dolorosos. Independente disso são passos dessa pessoa que traçou a sua vida com muito álcool (chegava a beber 3 garrafas de whisky por dia), drogas e música. Tim deixou diversas músicas, muitas delas regravadas por artistas nacionais famosos como Lulu Santos. Vale ler e ouvir!

Livro: Vale Tudo
Autor: Nelson Motta
Editora: Objetiva
Páginas: 392

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Angústia e sexo adolescente

Novembro 15th, 2007 Luciano Midlej

Charles Burns retrata jovens nos anos 70 em obra magistral preto-e-branco
Fonte: Rolling Stone – 11/2007

Burns deve ter tido uma adolescência complicada, pois isso poderia jusitificar a abordagem realista (e assustadora) de Black Hole - Introdução à Biologia Vol I. Em meados dos anos 70 e nesse clima de horror que se passa a história de Chris e Keith, colegas de escola, que sofrem com uma praga sexual que se espalhou entre os jovens dessa época. A juventude é tratada como a entrada para o purgatório e o sexo o primeiro passo para um pesadelo.
Ganhador do Eisner Award de Melhor Álbum de 2006 e outros nove Harvey Awards, Black Hole é a mais importante obra de Charles Burns. Vale conferir!
capa do livro
Livro: Black Hole - Introdução à Biologia - Volume I
Autor: Charles Burns
Editora: Conrad
Páginas: 184

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