Maio 17th, 2008 Luciano Midlej
Li hoje no jornal A Tarde uma matéria, da jornalista Claudia Lessa, muito animadora! Esteve presente em Salvador, para uma palestra na Faculdade 2 de Julho e para a 25ª Feira de Livros da Escola Experimental, Evando dos Santos - popularmente chamado de “Homem-livro”.
Evando, nascido em Sergipe, é conhecido por ter fundado 37 bibliotecas comunitárias pelo Brasil, além das doações de livros que faz com ajuda de empresas parceiras - até para Angola o Homem-livro já enviou livros. O que chama a atenção é que ele só aprendeu a ler aos 18 anos e depois disso nunca mais parou - ele lê cerca de 10 livros por mês, num país onde a média nacional é de apenas 1,8 livros para cada pessoa, na classe média.

Para o Homem-livro, ler é tão importante quanto se alimentar. Tenho que concordar, pois a saúde mental é algo muito importante e a leitura abre espaço para que as pessoas sejam capazes de repensar a sua realidade - principalmente uma realidade tão triste como a do Brasil.
São pessoas como Evandro que nos fazem tocar projetos - como esse blog - que de alguma forma ajudam outras pessoas a descobrir, despertar a vontade de ler. Parabéns a esse pedreiro que constrói com empenho e determinação um futuro melhor para outros milhares de brasileiros!
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Maio 16th, 2008 Gabriel Oliveira
Pivô de uma das maiores polêmicas da atual literatura brasileira, Roberto Carlos em Detalhes teve (ou tem) tudo para se tornar um best-seller – ou um “best downloaded” já que na rede é possível encontrar a obra em versão pdf, enquanto permanece proibido de ser comercializado.
O livro traz a história de um dos artistas brasileiros mais populares de todos os tempos, e que sempre fez questão de manter sua vida particular longe dos holofotes. Soma-se a isto a ordem judicial – pedida na justiça pelo próprio Roberto Carlos - que impede o livro de ser vendido legalmente, o que torna o produto ainda “melhor”, já que todos sabemos que o que é proibido é mais gostoso.
Elaborado depois de uma extensa pesquisa e mais de duas centenas de entrevistas exclusivas feitas pelo autor e fã, Paulo César de Araújo, Roberto Carlos em Detalhes é um documento da música popular brasileira (em minúsculas mesmo, pois aqui não falo do gênero MPB, mas da música feita para o povo, da música que não é erudita). O autor usa Roberto Carlos como um gancho para contar a história da mpb, desde seus primórdios, passando pela explosão da bossa-nova e do rock n’ roll.
Como sempre – pelo menos para mim – o delicioso do livro está nas (es)histórias. Não tem como ficar indiferente aos causos da infância do Rei Roberto, das molecagens de Tim Maia – para os que não sabem, Roberto, Erasmo e Tim Maia eram da mesma banda, os Sputiniks, antes da fama – dos perrengues que todos eles passavam para fazer um showzinho que fosse, enfim, das situações que mostram que todos eles, Roberto, Erasmo, Tim, Caetano e Gil são tão mortais, imperfeitos, com seus medos e manias, quanto nós.

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Março 20th, 2008 Luciano Midlej
Há alguns dias atrás meu amigo Marcos escreveu aqui no blog sobre esse livro impressionante.
Comecei a lê-lo principalmente para conhecer mais sobre essa grande personalidade do rock que é Clapton. Não conheço muito de suas músicas e sabia muito menos sobre sua vida.

No desenrolar do livro vamos sabendo tudo, desde sua origem simples, passando por seus primeiros sucessos, seus altos e baixos na carreira. Passagens muito curiosas como quando ele compra um carro sem saber dirigir, apenas para ficar admirando e outras, como suas investidas em Pattie – sua ex-esposa, que na época era casada com um dos seus melhores amigos, o ex-beatle George Harrison - fazem do livro uma diversão incrível.
Vale a pena ler e tentar entender como essa estrela do rock conseguiu sobreviver às drogas e ao álcool para poder escrever esse maravilhoso livro.
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Março 15th, 2008 Luciano Midlej
Antes de classificá-la como irônica chega a ser trágica a história de Irène Némirovsky.
Nascida na Ucrânia, em 1903, esta escritora que acabou morrendo no campo nazista de Auschwitz em 1942, fez carreira literária na França. Seus livros começaram a ser republicados após o sucesso de “Suíte Francesa” - manuscrito que ficou em poder de suas filhas por muitos anos.
O que acabou acontecendo foi que percebeu-se em seus livros personagens judeus cheios de estereótipos racistas. Eu quase comprei esse livro - acabei optando por “O Banco Medici” - intitulado de ”O Senhor das Almas” que, segundo matéria publicada pela Veja, em 12 de março, dá motivos de sobra para tal acusação contra a escritora.
Bem, melhor ler antes de comentar qualquer coisa. Vale também pesquisar um pouco sobre a vida da autora. Talvez assim possamos compreender a cruel situação de estar num país estrangeiro e ter que negar - ou tentar esquecer - a sua origem e sua cultura.

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Março 14th, 2008 Luciano Midlej
Foi publicada hoje, no caderno ESPECIAL FRONTEIRAS do jornal A Tarde, uma matéria assinada por Mônica Véras, mãe do meu amigo Lucas de Ouro, sobre Ayann Hirsi Ali - autora do livro “Infiel”. Abaixo você pode ler a matéria na integra.
“É com grande satisfação que tenho a honra de apresentar ao público baiano Ayann Hirsi Ali, uma somali nascida em Mogadíscio em 1969. Essa mulher, incluída pela revista Time entre as cem pessoas mais influentes do mundo na atualidade, nos brinda com uma história impressionante de superação da condição feminina.
Sendo menoscabada pela cultura islâmica, seu livro autobiográfico “Infiel – a história de uma mulher que desafiou o islã”, editado pela Companhia das Letras em 2007, nos fornece uma idéia precisa do exemplo de coragem, determinação e conviccão dessa grande mulher.
Ayaan conseguiu superar todas as barreiras familiares, religiosas e sociais que a cercavam, passando a lutar destemidamente pelo direito das mulheres muçulmanas e pela reforma do islã. Ela nos conta no seu livro: “Nasci na Somália. Fui criada na Somália e na Arábia Saudita, na Etiópia e no Quênia. Fixei-me na Europa em 1992, aos vinte e dois anos de idade, e integrei o Parlamento holandês. Agora, vivo cercada de guarda-costas e viajo de carro blindado. Em abril de 2006, um tribunal holandês me mandou sair do abrigo de segurança que eu alugava do Estado. O juiz decidiu que meus vizinhos tinham o direito de alegar que se sentiam inseguros com a minha presença no prédio. Eu já havia tomado a decisão de me mudar para os Estados Unidos antes que irrompesse o debate acerca da minha cidadania holandesa. Esse livro é dedicado à minha família e também aos milhões de muçulmanas reduzidas à sujeição.”
Ao longo do seu belíssimo livro, escrito pela pena de quem sofreu o peso de sua cultura , seja no real do seu corpo, com mutilações na sua sexualidade (extirpação do clitóris aos 5 anos de idade), seja nas mutilações simbólicas no seu psiquismo e no desejo de expressão e liberdade - por conhecer de perto os rigores do islamismo - Ayaan nos presenteia com sua força, quando nos relata: “A Time me colocou na categoria de Líderes e revolucionários. O que fazer com tamanha responsabilidade? Talvez eu deva começar por dizer às pessoas que os valores são importantes. Os valores do mundo dos meus pais engendram e preservam a pobreza e a tirania, por exemplo, na opressão da mulher. Seria muito benéfico olhar claramente para isso. Em termos simples, nós que fomos criados no islã, se enxergarmos a realidade terrível em que estamos, poderemos mudar o nosso destino.”
As palavras dessa mulher excepcional nos tocam no mais profundo de nossa posição feminina. Possuimos a nossa castração manifesta na nossa compleição frágil, mas paradoxalmente forte. Estamos sempre prontas para suportar as dores as mais terríveis, da menstruação ao parto, com uma fabulosa capacidade de resignificar o peso dessa submissão fálica, que nos é imposta inevitavelmente pela cultura.
Sabendo, pela Teoria Psicanalítica, que o ser humano é constituído pelo desejo do Outro, ficamos absortos ao constatar a possibilidade de dar novos sentidos ao seu próprio ato de existir. Ayaan rompe de forma surpreendente ao que havia sido determinado pelo desejo do Outro em sua vida e constrói uma nova trajetória, apresentando-nos uma fantástica disposição psíquica, não se submetendo ao peso da neurose e se salvando na construção do seu próprio desejo.
É gratificante testemunhar em seu texto um exemplo de utilização de mecanismos defensivos do Ego extremamente saudáveis, resignificando a cada momento a sua história, um passar a limpo de seus traumas ancorado com firmeza nos seus ideais de liberdade. Percebo que Ayann se orienta com sabedoria na construção de um Ideal e a luta pela libertação das mulheres lhe dá ânimo e coragem para prosseguir. Fazendo de suas fraquezas - força e das dores - um elixir de energia e vigor, ela ressurge qual Fênix lendária e reproduz o esforço de um Sísifo contemporâneo encontrando alegria “em subir quantas vezes forem necessárias a montanha, carregando a sua pedra particular: o simples fato de ter nascido mulher”.
Ao receber esse convite de escrever esse artigo, ao devorar o seu livro com sofreguidão, fui seduzida por essa psiquê admirável e, na condição de psicanalista, absolutamente apaixonada pelo Humano, sinto que, por mais que me esforce, eu não encontro os significantes precisos que possam lhes dar uma idéia do que seja a personalidade vibrante e envolvente de Ayaan Hirsi Ali.”
Mônica Véras é psicóloga clínica e psicanalista, fundadora e presidente do Napsi - Núcleo de Atendimento Psicológico – ONG que trabalha há mais de 10 anos com a Psicanálise no Social em parceiria com o Hospital Robert Balanger de Paris(França) e é Presidente do Fórum Baiano de Psicanálise.”

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Março 11th, 2008 Luciano Midlej
Algumas fusões podem ser benéficas para os consumidores e acredito que essa seja uma delas. Depois que quase 1 ano de negociações, a Saraiva adquiriu a Siciliano por cerca de R$60 milhões (e mais uma dívida de R$13 milhões). Com isso a Saraiva passa a ter aproximadamente 20% do mercado de livros no Brasil - tornando-se a número 1 no segmento. São agora 99 lojas em treze estados.

Estou torcendo para que isso reflita de forma positiva nas livrarias virtuais, gerando uma concorrência mais forte frente a Americanas/Submarino, levando a uma redução nos preços do livros ou, pelo menos, a um número maior de promoções. É esperar para ver…
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Março 9th, 2008 Luciano Midlej
Desde de que fundou a banda de rock mais famosa do mundo, os The Beatles, John Lennon revolucionou a história da música. Maior fenômeno musical que já existiu, o quarteto de Liverpool simplesmente não tem outra banda com a qual possa ser comparada.
Numa união muito curta - não sei exatamente, mas acho que a banda durou 10 anos - os Beatles quebraram todos os records que uma banda pode ter. Foram 600 milhões de discos vendidos, mais de 25 músicas em 1º lugar nas paradas norte-americanas, shows em estádios para milhares de fãs e muitos outros. Mas o sucesso também tem seu lado ruim, e é aí que entra esse livro maravilhoso.

Logo após o fim dos Beatles, Lennon concedeu uma entrevista à revista Rolling Stone. E essa entrevista - na íntegra - virou livro, intitulado como Lembranças de Lennon, de Jann S. Wenner. Acompanhado de Yoko (que nessa entrevista, na minha opinião, enxe o saco) ele solta o verbo e fala sem medidas tudo que sentia.
É uma grande opção para conhecer um pouco da personalidade desse grande gênio que passou rapidamente pela terra, mas deixou sua marca para sempre na história.
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Fevereiro 28th, 2008 Luciano Midlej
Lançado no exterior, o livro Rock & Roll Heaven me parece uma das publicações mais interessantes desse ano, até o momento, no gênero musical/literário.

Nesse livro, os autores Bruno McDonald e Robert Dimery escrevem sobre a vida de 200 personalidades do rock, documentando as circunstâncias de suas vidas que envolvem declínio e morte. Alguns dos artistas famosos que estão no livro são John Lennon (ex-The Beatles), que foi assassinado, e Sid Vicious - baixista do Sex Pistols - morto por overdose.
Por enquanto, o livro só em inglês!
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Novembro 6th, 2007 Luciano Midlej
Como enfrentar uma situação tão delicada: ter um filho assassino
Fonte: Revista da Semana – 05/11/2007
Eva Katchadourian na verdade nunca quis ser mãe. Aos 16 anos, seu filho Kevin atirou contra colegas da escola e sua professora. Esse é o ponto de dá inicio a uma história trágica. Antes de ser finalmente publicado, e se tornar um fenômeno de vendas no Reino Unido, Precisamos falar sobre o Kevin foi recusado por mais de 25 editoras. É uma novela que explora fundo os dramas dos pais que procuram entender como seu filho se transformou num assassino. Após o crime, ela sempre visita o filho regularmente. Suas lembranças lhe aterrorizam. No livro um balanço da trajetória de um casamento, uma carreira, a família, a maternidade e o papel do pai. Melhor do que muitos manuais que falam sobre a relação entre pais e filhos.
Livro: Precisamos falar sobre o Kevin
Autor: Lionel Shriver
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
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Outubro 25th, 2007 Luciano Midlej
Autor fala da sua juventude hitlerista em livro de memórias
Fonte: Revista da Semana – 22/10/2007
O livro Nas Peles da Cebola, lançado em 2006, causou grande desconforto nos intelectuais da Alemanha que são engajados em revelar a brutalidade nazista na 2ª guerra. Principalmente porque ele acusou durante 60 anos o corpo político de não assumir coletivamente responsabilidade sobre a guerra. Grass admitiu que alistou-se de forma voluntária quando tinha apenas 17 anos. O Nobel de Literatura em 1999, por O Tambor, quando lhe é conveniente, apresenta o narrador como um adolescente que nada sabia e além de se recusar a ver o que acontecia naquele grave momento histórico.

Livro: Nas Peles da Cebola
Autor: Günter Grass
Editora: Record
Páginas: 420
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