Ler Devia Ser Proibido

Uma menina questionando o mundo

Agosto 14th, 2008 Luciano Midlej

Em 1963, um desenhista argentino cria uma tira em quadrinhos para ser utilizada de forma publicitária nas vendas de eletrodomésticos de um empresa. Essa empresa, por sua vez, recusa o desenho. Essa é uma atitude que entrou para as “mancadas históricas”.

Estamos falando do surgimento de um dos personagens em quadrinhos mais conhecidos da América Latina: Mafalda. Criada por Quino - cujo nome verdadeiro é Joaquín Salvador Lavado -, essa personagem foi um sucesso durante décadas no mundo dos quadrinhos. Traduzida em diversas línguas (a primeira foi o italiano), é até hoje é uma personagem atual. Suas tiras de décadas atrás abordam assuntos que ainda são motivos de discussões. Como sempre, no Brasil tudo chega depois e só em 1981 temos a primeira publicação brasileira dessa figura pequenina e irreverente.

quadrinho-quino-mafalda

Mafalda possui uma legião de fãs até hoje - suas tiras pararam de ser publicadas em 1973. Vale a pena conferir e dar muitas risadas com essa personagem cativante. No livro Toda Mafalda - da primeira à última tira, publicação da editora Martins Fontes (minha edição é de 1991) você tem mais de 400 páginas do melhor humor em quadrinhos!

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“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.”

Junho 10th, 2008 Marina Garcia

Quando comecei a ler A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, não fazia idéia sobre o que era a história, mas tinha me encantado com o título do livro e queria ler ainda assim.

À medida que eu ia lendo, ficava tão satisfeita e empolgada com a história, com o tema e com a forma da narrativa que não conseguia desgrudar os olhos do livro. Aonde eu ia, leva o livro comigo e cada tempinho livre eu lia mais um pouco do livro. (Se pudesse, tinha lido sem nenhuma interrupção). A pequena Liesel e sua cativante história emocionam do início ao fim, e mesmo sabendo como termina o livro no meio da leitura, a vontade de continuar lendo só faz aumentar.

A Menina que Roubava Livros é narrado nada mais nada menos que pela própria Morte, que se comove com a personagem e sua trajetória, interage com o leitor, e nos faz ver tudo sobre um ponto de vista diferente. Ela leva a história com palavras doces, brinca com a gente, descreve momentos lindos dentro de situações que poderiam ser bem triste. (Nunca pensei que a Morte pudesse ser tão boa, que tivesse um “coração”. A narradora é a Morte que eu gostaria de encontrar quando chegar o meu dia). Continue lendo »

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Entrevista exclusiva com Guiomar de Grammont

Junho 3rd, 2008 Luciano Midlej

Depois de meses procurando, eu consegui o contato da escritora Guiomar de Grammont. Para quem não sabe, foi ela a autora do texto Ler Devia Ser Proibido que deu origem ao nosso blog. Sempre muito ocupada em eventos literários, ela gentilmente concedeu a entrevista através de e-mail.

As perguntas foram elaboradas pelo jornalista e músico Gabriel Oliveira, que também é um dos colaboradores da nossa equipe. A seguir confira a entrevista completa  e fique conhecendo um pouco mais dessa incrível escritora:

LERDEVIASERPROIBIDO - No momento, você coordenou o Café Literário da primeira Bienal do Livro de Minas Gerais, que aconteceu entre 15 e 25 de maio. Quais os prós e os contras de estar nesta posição? 

Grammont - Creio que o lado positivo é poder estar em contato com autores que admiro muito, criar temas e discuti-los com eles. Gosto muito de criar a programação: é muito prazeroso. Depois, tenho que estudar quais autores poderia chamar e isso também é interessante. O lado mais difícil é quando começam os contatos e muitos não aceitam participar, por questões de disponibilidade, etc. O trabalho também exige demais da gente, porque o tempo é um fator que pressiona muito.

LDSP - Li uma entrevista sua para o Vitrine Literária, na qual você dizia que “nem sempre o que se publica é o que vale a pena e muitos ótimos autores ficam tão relegados ao esquecimento que acabam parando de produzir ou produzindo menos”. Num evento como a Bienal, quais os critérios que decidem quais autores participarão? Como a Bienal contribui para que os autores menos divulgados possam expor suas obras?

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Uma obra aparentemente para crianças

Maio 29th, 2008 Marina Garcia

O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, é uma obra aparentemente para criança, mas apenas aparentemente. Para elas, apenas mais uma história fantástica. Na verdade, a obra é um apelo aos adultos, que se entregam às preocupações diárias e passam a ver o mundo e as pessoas à sua volta com frieza e praticidade e não dão valor às coisas que realmente merecem.

O livro é narrado por um piloto de avião que sofre um acidente e caí em pleno deserto e conta a história de um principezinho que veio de um pequeno planeta em busca de respostas e aventuras, fantasias normais de uma criança, que vê as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade. Cada personagem que nos é apresentado na narração é uma verdadeira metáfora. O pequeno príncipe simboliza o amor e a força inocente da infância que os adultos esqueceram.

pp

A rosa, linda e geniosa, por quem ele se apaixona e toda o sua história é metáfora sobre os relacionamentos homens X mulheres, sobre paixão e amor. Durante sua viagem, antes de chegar ao Planeta Terra, o pequeno príncipe vai conhecendo alguns personagens, como o Rei, que pensa que todos são seus súditos, mas que os controla com extremamente sabedoria - “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar”. O autor faz Continue lendo »

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The Beatles por Bob Spitz, parte 1

Maio 4th, 2008 Luciano Midlej

Em uma visita a loja da Fnac na Av. Paulista encontrei um livro que primeiro me surpreendeu de longe pelo número de páginas -  quase 1050. Percebi depois que se tratava de uma nova biografia da banda de rock mais famosa de todos dos tempos: os The Beatles. Tive vontade de levar o livro naquele mesmo momento, mas o valor (R$105,00) acabou me contendo. Dois dias depois, já de volta a Salvador, acabei comprando-o por módicos R$58,00 nas americanas.com.

Acho que é uma das biografias mais completas já escritas sobre o fab four. O que acho muito interessante são os diversos trechos dos muitos conhecidos próximos e também dos amigos que participaram da vida dos garotos mais famosos de Liverpool. O autor começa descrevendo não só John, Paul e George. Ele nos mostra como a família de cada um deles veio parar nessa cidade portuária da Inglaterra. É muito interessante ir descobrindo detalhes da vida dessas pessoas que tiveram grande influência na infância dos “besouros”.

Estou ainda em 1/3 do livro. Ringo acabou de entrar para banda (após a saída conturbada de Pet Best - imagine ser colocado para fora de sua banda, quando se estava perto de estourar a “beatlemania”! Não entendo como esse cara não se matou…) e eles estão perto de gravar seu primeiro disco.

Em breve mais sobre esse maravilhoso livro!

CAPA

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Ver não é enxergar

Março 27th, 2008 Filipe Bezerra

Primeiro me causou estranhamento. A pontuação esquisita, um jeito meio curioso de escrever. Fui lendo. Continuei lendo. Parei porque uma hora tinha que parar mesmo. A história teve um fim. E que história! “Ensaio sobre a Cegueira” é inegavelmente uma obra de enredo altamente criativo.

Tente imaginar-se cego. É difícil, eu sei. Mas depois de ler esse livro, não vai parecer tão complicado assim. O autor, José Saramago, foi hábil na tentativa de descrever um episódio inexplicável de cegueira generalizada. Sem mais nem menos, as pessoas vão sendo abatidas por uma cegueira repentina, que mergulha a todos, não na escuridão, mas num mar de luz branca.

saramago

Cada acontecimento vai sendo relatado através do ponto de vista da única personagem que permanece normal. E algo que particularmente me chamou a atenção foi o fato de que eu mesmo nunca havia me questionado sobre a possibilidade de ficar cego. Não que isso seja um risco tão provável assim, mas lendo aquilo tudo eu passei a me perguntar como é que eu mesmo me comportaria estando naquela condição.

Atualmente o livro está sendo adaptado para o cinema - Blindness - mas calma! Nesse caso é permitido aguardar uma bela experiência de transformação da história. Digo isso rasgando toda seda, porque afinal de contas quem dirige o filme é o competente Fernando Meirelles, que ainda tem no elenco o talento de Julianne Moore.

Saramago foi feliz na elaboração das situações de confronto vividas pelos personagens. E é isso que mais espanta o leitor: se defrontar com as reações humanas diante de situações adversas.

livro cegueira

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Mauá

Março 27th, 2008 Lucas Souto

Esta biografia de Jorge Caldeira mostra o maior industrial e visionário da história econômica do Brasil.

Irineu Evangelista, o Barão de Mauá.

Esta personalidade começou sua trajetória em uma infância pobre e orfão aos 5 anos de idade. Aos nove anos, ele já trabalhava como uma espécie de office boy do século XIX. Aos 14 anos, ele ja tinha uma boa noção de contabilidade. Aos 30, já era a pessoa mais rica do Brasil.

Mauá cresceu no Brasil Império de Dom Pedro II e numa sociedade escravocata no qual a alta sociedade era composta de traficantes de escravos que impunham suas idéias no regime trabalhista.

Nesse Brasil arcaico, rural e escravagista, Mauá resolveu ser empreendedor. E em vários setores. Numa economia baseada nas monoculturas de café e açucar, e mais ainda do comércio de escravos, ele fundou um estaleiro. Depois foi responsável por iluminar Rio de Janeiro, fez estradas de ferro, e virou banqueiro.

Seu dinheiro se multiplicava ao mesmo tempo que trazia progresso material a um Brasil tão carente de infra-estrutura. Fez uma companhia de navegação no - ainda mais distante do que hoje - Amazonas, sendo importante para integração nacional.

Financiou obras públicas e fazia tanto que os populares o chamavam de o Imperador do Brasil, despertanto uma inveja enorme do estadista Dom Pedro II que tanto fez para evitar sua ascenção, e chegou até a conseguir falir este grande empreendedor. Porém, Mauá conseguiu recuperar-se de sua falência e chegou a sua morte com a terceira maior fortuna do Brasil.

Um livro indispensável para compreender um empreendedor vitorioso e que ajudou verdadeiramente o Brasil com capital produtivo.

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