O Verdadeiro Rei do Brasil
Maio 6th, 2008 Antonio MartinsAo ler o comentário do nosso querido Mr. Midlej sobre a biografia dos quatro rapazes de Liverpool, fiquei revisando mentalmente as biografias que já havia lido e me lembrei de um livro que definitivamente merece ser comentado, e esse livro é Chatô: O Rei do Brasil. Esta é, sem sombra de dúvidas, a melhor biografia que já li, a única que conseguiu reunir uma escrita primorosa com uma história fascinante e muitas vezes hilária.
O protagonista desta fantástica vida foi o jornalista, empreendedor, mecenas e político brasileiro Assis Chateaubriand. A trajetória deste homem é quase inacreditável: do menino probre e gago do interior da Paraíba ao homem influente dono da maior rede de comunicação do país que compreendia em seu auge 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal (O Cruzeiro), uma mensal (A Cigarra), várias revistas infantis e uma editora. Sua influência no país fora decisiva enquanto seu reinado durou.

Ele ainda é o civil com mais horas de võo na história do Brasil e conseguia dinheiro com os aristocratas do país para realizar seus projetos, como quando decidiu impulsionar a aviação civil no Brasil e quando foi à Europa pós-guerra em busca de obras de arte para o acervo do museu fundado por ele, o MASP.
A escrita de Fernando Morais flui com uma facilidade impressionante e sua pesquisa foi profunda e bem organizada. A figura caricatural do Chatô pode ser constatada em diversas partes do livro com ele protagonizando cenas cômicas como no programa inaugural da TV Tupi ao vivo ou numa solenidade em que teve incontinência urinária. O abominado “jeitinho brasileiro” teve seu ápice na pessoa deste homem que, apesar de parecer à primeira vista uma pessoa amoral e sem escrúpulos, foi genuinamente um empreendedor de espírito inquieto e sagaz. Seu corpo foi velado no MASP ao lado de duas pinturas dos grandes mestres: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando as três coisas que mais amou na vida: O poder, a arte e a mulher pelada.

